Covas Responde

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Confira a opinião de Mario Covas sobre os mais diversos temas.

 

Escola Sem Partido

Acredito que escola é lugar de debate, de aprendizado. As pessoas precisam ter todas as informações para, a partir daí, tomar o rumo que acharem melhor. Escola Sem Partido, para mim, dá a impressão de que se está buscando neutralidade em relação a tudo. E eu acho que isso não é bom. É preciso ter uma visão crítica em relação às coisas. Não pode ter partido, com certeza, não pode estar alinhado ao PT, ao PSDB ou qualquer outro partido. Mas precisa ter uma visão crítica das coisas.

 

Porte de Armas

Eu fui a favor do desarmamento, apoiei o desarmamento, mas hoje percebo que alguma coisa não deu muito certo. Veja só: em 2016, no ranking dos países que tiveram mais mortes violentas a partir de armas de fogo, o Brasil liderou essa pesquisa. De 250 mil pessoas que morreram por armas de fogo no mundo inteiro, o Brasil contribuiu com 43 mil. Foi o primeiro colocado.  Ora, como é que em um país que adotou o desarmamento tem tanta morte por arma de fogo? Alguma coisa está errada. A liberação das armas talvez não seja a solução, mas é preciso coibir o comércio clandestino que existe à solta no país.  É preciso mais recursos na área de segurança pública para combater o crime. As armas devem ser proibidas, mas é preciso ter uma solução de segurança para as pessoas.

 

Aborto

A questão do aborto não é uma questão de polícia, a questão do aborto é uma questão de saúde pública. Em uma situação de emergência, as mulheres acabam recorrendo ao setor de saúde em busca de reparo de um aborto mal feito. Existem milhares de mulheres que são mutiladas anualmente por conta de um aborto mal feito. É preciso tomar cuidado em relação a isso. Por outro lado, esse é um tema extremamente complexo, o país está dividido em relação a essa posição. Por isso, há necessidade de aprofundar a discussão e, ao final, levar a um plebiscito. Penso que esse é um tema que o Congresso Nacional sozinho não tem a representação suficiente para tomar uma decisão pelo conjunto da nação.”

 

Legalização das Drogas

Em relação à legalização das drogas, tenho uma posição bem clara:  não sou a favor da legalização, com a exceção da maconha. E digo o porquê. Primeiro porque ela tem um viés medicinal, também.  Proibir uma droga que pode amenizar o sofrimento das pessoas me parece um equívoco. Segundo, é uma droga recreativa. Desconheço situações de pessoas que sob o efeito da maconha tenha realizado atos irracionais, ao contrário do álcool. Por outro lado, a maconha é a droga mais consumida no país, e o mesmo fornecedor da maconha fornece as outras drogas. Portanto, ao mantê-la proibida você dá oportunidade para aquele usuário só de maconha procurar o fornecedor e ter acesso a outros tipos de drogas muito mais complicadas. Então acho que é hora de se rediscutir isso. Há vários exemplos no mundo que caminharam nessa direção, alguns com sucesso outros não, vamos debater qual é o melhor modelo.

 

Corrupção

A questão da corrupção é um tanto complexa. Hoje temos a impressão que o país vive uma situação de corrupção muito mais intensa que no passado. Eu não vejo dessa forma. Penso que hoje dispomos de instrumentos de aferição de transparência e de punição, que permitem que parlamentares e até presidentes da república estejam presos, inclusive junto com presidentes de grandes empresas privadas. Isso não acontecia no passado.

Na minha visão, a sociedade brasileira vive um momento de depuração. Certamente, amanhã teremos dias melhores. Conforme você deixa mais transparente qualquer processo público e com maior controle da sociedade na sua fiscalização, menores serão os abusos. Mais do que isso: dispor de uma legislação que puna exemplarmente quem pratica a corrupção vai ao encontro de um desejo da população. É isso que vamos alinhar o meu mandato.

 

Maioridade Penal

Não sou a favor da redução da maioridade. Considero que isso não vai resolver o problema. Há pessoas que amadurecem muito cedo, outras mais tarde. É preciso avaliar se a pessoa tem discernimento e consciência com relação ao ato que cometeu, se tinha consciência que prejudicou alguém. Isso pode ser feito por uma junta de especialistas – médicos, juristas, psicólogos, educadores –  que podem avaliar se aquela criança tem noção de certo e errado, de proibido e permitido. Essa avaliação resultará ou não na sua punição como um adulto. Não é a idade cronológica que vai fazer a diferença.